Artigos · 12 de novembro de 2024

"...até o meu casamento melhorou..." é um bom feedback?

Rodrigo Brant

Aliança sobre um livro aberto, sombra em forma de coração
"...até o meu casamento melhorou..."

Ouvi esse feedback de um cliente cujo processo de coaching executivo foi patrocinado pela empresa onde trabalha.

Claro que recebo falas assim com muita satisfação, mas sei que ainda existe quem acredita que a vida pessoal deve ser separada da profissional. "Não quero nem saber o que acontece na vida dele quando está fora da empresa. Não me interessa, o meu negócio é resultado". Esses são exemplos do que alguns gestores dizem.

Quem pensa assim provavelmente tem o mesmo objetivo que eu quando contratado. E o mesmo que uma empresa, um líder e sua equipe: todos nós visamos o aumento dos resultados.

Só há crescimento com resultado!

Porém, aqueles que acreditam que só é possível alcançá-lo com esforço, com sangue, suor e lágrimas, que as pessoas só se motivam com "cenoura e chicote", precisam rever os seus conceitos.

Todo resultado tem um custo.

Essa maneira custosa de se motivar pode até funcionar, mas por pouco tempo. E a tendência é que não funcione mais — o que vejo por aí e escuto nos meus atendimentos é uma queda vertiginosa de desempenho daqueles que são tratados como recurso humano.

(Recurso humano é um termo descabido e, pior, que ainda denomina, dentro da maioria das empresas, a área que deveria ser a mais estratégica de todas. Mas vou deixar para falar sobre isso em outro momento.)

Voltando para o cliente — não aquele que melhorou o seu casamento, mas a empresa que me contratou: será que ela queria esse tipo de resposta do meu trabalho? Provavelmente não, mas esse é o caminho que funciona no curto, no médio e no longo prazo.

Eu olho para o ser humano como uma pessoa integral e sei que quanto mais equilibrada e leve estiver a sua vida, mais capacidade e menos interferências terá para alcançar os resultados necessários. Trabalho para que as pessoas aumentem a sua performance de maneira menos "custosa".

Trabalho para que o potencial humano não fique apenas no campo da possibilidade — o objetivo é se tornar realidade. Às vezes, a resposta do meu trabalho para a empresa demora a ser vista, porque para ver é preciso de uns óculos diferentes.

Tenho convicção no que faço; escolhi e escolho sempre trabalhar na causa e não nos sintomas. Quando uma dor de cabeça some, comemora-se, mas se a razão de ela aparecer não for tratada, logo aparece novamente. Vai e volta o tempo todo.

Resultado precisa ser sustentável.

O que fazem aqueles gestores que só pensam no resultado a qualquer preço é não olhar devidamente para o tamanho do custo, em todas as suas formas — dinheiro, emocional, físico, ambiental etc. Apenas enxergam os números faturados.

Diminuir o custo também é aumentar o resultado.

Esse meu cliente, certa vez, disse-me que o meu serviço é caro, mas em nenhum momento disse que não valia o investimento. Escrevi investimento porque não é o mesmo que custo.

Sei que não era o caso dele, mas: quanto alguém, se soubesse, pagaria para recuperar um casamento que está falindo? Quanto uma empresa investiria em um trabalho individual para um colaborador que, durante o processo, tornou-se mais leve e, por causa dessa leveza, conseguiu olhar mais estrategicamente para uma situação dentro da organização — evitando, assim, um custo que não estava sendo visto?

Me conta o que você acha dessa busca por resultados, custo e investimento. Você investe em você? A sua empresa investe, de verdade, nas pessoas?

p.s: esse meu cliente que melhorou a relação com a esposa me procurou depois de alguns anos para eu apoiá-lo numa transição de carreira. Sabe quem foi a primeira pessoa a incentivá-lo a voltar a trabalhar comigo? Isso mesmo que pensou — a esposa dele.

p.s 2: depois dessa, é claro que acho que foi um ótimo feedback!

Se esse texto te fez pensar sobre o custo real dos seus resultados, podemos conversar.

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